De mãos dadas com a ancestral: firmando os pontos para despachar o “carrego colonial” – Hildalia Cordeiro

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HILDALIA FERNANDES CUNHA CORDEIRO

É doutoranda em Literatura e Cultura pelo Instituto de Letras da Universidade Federal da Bahia; Mestre em Educação e Contemporaneidade pelo PPGEduc/UNEB; Especialista em História e Cultura Africana e Afro-Brasileira pela Fundação Visconde de Cairu e especialista em Linguística Textual com ênfase em Análise do Discurso pelo CEPOM; possui graduação em Serviço Social pela Universidade Católica do Salvador e Pedagogia pela Faculdade D. Pedro II; trabalha com formação de professores com temáticas sobre as Relações Étnico-raciais e Educação antirracista. É, ainda, professora formadora da Plataforma Freire (PARFOR/UNEB e Universidade Aberta do Brasil (UAB); Contista, tendo contos publicados nos Cadernos Negros nº 36 e 38 e outras antologias; Pesquisa e orienta trabalhos de conclusão de curso (graduação e pós-graduação) sobre Escrita literária de mulheres negras na e pela diáspora e em especial sobre Carolina Maria de Jesus e Toni Morrison; Participa, também, dos grupos literários: Quilombo Letras e Lendo Mulheres Negras; É Erva Doce na família Associação Arte Baiana Capoeira e é mãe de Cauê, sua maior e mais importante obra; Bolsista CAPES.
hildaliafernandes@hotmail.com

RESUMO

O presente ensaio objetiva provocar reflexões sobre a importância do legado deixado pela escritora negra estadunidense Toni Morrison, no que diz respeito ao exercício de cartografia das construções identitárias de mulheres negras espalhadas e (re)unidas pela diáspora através da ficcionalização das memórias e histórias negras. A crença é a de que por meio do acesso e leitura ao acervo produzido por essa mais velha, pontos sejam firmados nas diferentes encruzilhadas e assim, consigamos “despachar o carrego colonial” (SIMAS; RUFINO, 2019) fruto do sequestro, via escravização, que há tanto nos atrapalha na caminhada rumo à emancipação. À essa escrita e forma específica de ler os romances produzidos pela referida autora, foi dado o nome de Literatura Abẹ̀bẹ̀: uma abordagem teórico-crítica negro-perspectivada.

Palavras-chave: Toni Morrison. Identidade negra. Literatura Abẹ̀bẹ̀. Carrego colonial. Ancestralidade.

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Como citar: CORDEIRO, Hildalia Fernandes Cunha. De mãos dadas com a ancestral: firmando os pontos para despachar o “Carrego Colonial”. Revista Firminas, São Paulo, v. 1, n. 1, p. 233-239, jan/jul, 2021.

Publicado em: 11/03/2021

Editoria:

Fernanda Miranda
Luciana Diogo
Marília Correia

e_mail: revistafirminas@gmail.com

Arte | #1: Carolina Itzá

Diagramação | artigo: Érica Rodrigues

Capa | #1: Carolina Fernandes

Revisão |artigo: Ana Flávia Ribeiro

Edição de vídeos | #1 Aline Fátima

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